A Carta aos

HEBREUS

 

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Capítulo II (v. 5- 18)

Introdução

Para auxiliar na leitura e interpretação do texto, os versículos foram coloridos em três cores:

O vermelho apresentam o tema central da carta, que é a palavra de Deus anunciada através dos tempos.

O azul contém explicações gerais, e geralmente serve para ilustrar ou dar sustentabilidade a argumentação principal, que vem colorido em vermelho.

O preto são citações do Antigo Testamento que reforça a idéia apresentada e dá peso as explicações em azul.

 

Anjos e Homens

 

5 Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos. 6  Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? 7  Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; 8  Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. 9  Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. 10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. 11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12 Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. 13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. 14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. 16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

 

Os versículos 5 à 18 constituem um novo adendo explicativo semelhante ao apresentado no primeiro capítulo Hb 1. 3- 14.

O escritor já havia demonstrado que todos os anjos são espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação Hb 1. 14, e que a palavra falada pelos anjos permaneceu firme Hb 2. 2.

A missão dada por Deus aos anjos de ministros e mensageiros em favor dos homens somente demonstra o cuidado do Criador para com os homens, porém, não foi a eles que Deus sujeitou o mundo vindouro. Esta ressalva é pertinente, e esclarecedora.

Os anjos foram comissionados como mensageiros, porém, não serão eles que exercerão domínio no mundo vindouro. O escritor apresenta alguns versículos que dá sustentação à sua argumentação, para tornar evidente o exposto no versículo dezesseis: “Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão” (v. 16).

Os cristãos devem apegar-se com firmeza às verdades ouvidas, visto que, há um mundo vindouro, no qual todos os que crêem em Cristo exercerão domínio. Não será um mundo sujeito aos anjos, conforme é possível depreendermos da explicação que o escritor aos Hebreus faz do salmo seguinte:

             

“Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés” Sl 8. 4- 6; Hb 2: 6- 8.

           

O salmo oitavo envolve inúmeras questões, porém, para o nosso estudo demonstraremos que ele é eminentemente messiânico.

Ao ler citações do Antigo Testamento é preciso ter o cuidado de verificar qual a relação entre o texto citado e a argumentação do escritor da carta.

Ao lermos: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!” Sl 8. 1, é preciso observar que o verso primeiro do salmo oitavo é um momento de louvor ao mesmo Senhor identificado no salmo quarenta e cinco “Tu, Senhor, no precipício fundaste a terra...” Sl 45. 6, e que o escritor aos Hebreus demonstra ser Jesus, o Filho Unigênito do Pai Hb 1. 10.

O versículo 2 do salmo 8 também foi citado por Jesus: “E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” Mt 21. 16.

Os principais dos sacerdotes e escribas ficaram indignados com o louvor das criançinhas que estava sendo direcionado a Cristo. Eles queriam que Jesus repreendesse as crianças, e Jesus lhes citou o Sl 8. 2, o que demonstra que Cristo é especificamente o Senhor do versículo 1 do salmo 8, sendo Ele digno do louvor das criançinhas “Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingadorSl 8. 2.

Da mesma forma que as criançinhas, o salmista também irrompeu em louvor ao ver as obras das mãos de Cristo: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste” (v. 3), conforme demonstra o estribilho: “O SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!” (v. 9).

O salmista, através da pergunta: "...que é o homem mortal...", demonstra interesse em saber qual o papel que o homem mortal desempenha na criação. Da mesma forma, ele também não sabia quem seria ou como seria o Filho do homem, porém, ele profetiza: “Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” Sl 8. 5- 8.  Este entrave do salmista é descrito por Pedro: “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada” I Pe 1. 10.

O que o salmista não sabia, o escritor aos Hebreus demonstra ao responder a pergunta: Que é o homem? É aos homens em Cristo que Deus sujeitou o mundo vindouro. Quem é o Filho do homem? É o Cristo, o Filho de Deus, conforme o escritor da carta aos Hebreus já havia demonstrado no adendo anterior.

Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares Sl 8. 5- 8.

 

Esta é a explicação dada pelo escritor aos Hebreus sobre este salmo:

           

Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” Hb 2. 8b- 11.

 

O escritor aos Hebreus demonstra que Jesus é aquele que foi feito um pouco menor que os anjos Sl 8: 5, conforme o salmo diz, porém, o mesmo salmo também apresenta Jesus como aquele para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe Sl 8: 1.

Perceba que o texto em verde explica o texto colorido em azul.

O escritor aos Hebreus demonstra que, desde que todas as coisas foram sujeitas a Cristo, nada esta fora do seu domínio Hb 2. 8.

Todas as coisas estão sujeitas a Jesus, porém, os cristãos ainda não viam que todas as coisas estavam sujeitas a ele. Este era um problema de entendimento de alguns cristãos que o escritor queria esclarecer: embora não vissem que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo, isto não muda a realidade dos fatos: todas as coisas estão sujeitas a Cristo.

Embora Cristo esteja coroado de glória e honra, contudo não é possível vê-lo deste modo “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” Jo 17. 5. O que o escritor e os cristãos viam? Qual a imagem que estava na memória dos cristãos?

Eles ainda viam, ou tinham uma idéia do Jesus homem. Quando os cristãos anunciavam a Jesus, muitos deles ainda tinham em mente o Jesus que 'foi feito um pouco menor que os anjos'. Muitos ainda não haviam alcançado uma compreensão plena sobre a pessoa de Cristo, porém, o escritor da carta procura demonstrar que todas as coisas estão sujeitas a Cristo.

A escritura (V. T.) já demonstrava que todas as coisas estariam sujeitas a Cristo, ou seja, os cristãos precisavam enxergar (ver) por meio da escritura que Jesus haveria de ser coroado de glória e de honra. Após a ressurreição dentre os mortos Cristo assumiu o seu lugar de honra e glória.

A posição de homem que Jesus assumiu neste mundo implica em algumas considerações que serão apresentadas gradativamente no transcorrer da carta. Uma delas é exposta aqui: Jesus ao ser introduzido neste mundo foi feito menor que os anjos, visto que era necessário que Ele passasse pela paixão da morte.

 

 

 

Claudio Crispim

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