A Carta aos

HEBREUS

 

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Capítulo II (v. 1- 4)

 

Introdução

Somente neste capítulo é possível precisar qual o contexto da carta aos Hebreus, visto que, o primeiro capítulo contém uma abordagem específica sobre a pessoa de Cristo.

Antes de prosseguir, é preciso deixar registrado que, caso não fosse inserido  o aposto explicativo do primeiro capítulo acerca da pessoa de Jesus Hb 1. 3- 4, juntamente com as citações do Antigo Testamento Hb 1. 5- 14 , o texto principal da carta ficaria assim:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho (...) Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido...” Hb 1. 1- 2 e 2. 1- 4.

Ou seja, a idéia principal a ser transmitida ao leitores começa no capítulo 1, versículo 1 e 2 e continua continua no capítulo 2, versículo 1 em diante. Ora, se Deus falou de muitas maneiras, e agora falou através do seu Filho, conclui-se que é preciso ser mais diligente quanto ao que já tinham ouvido. Esta é a abordagem central da carta: a mensagem anunciada.

O texto base da carta está nos versículos citados acima. Observe que a retirada dos versículos 3 ao 14 do capítulo 1 não alteram em nada a idéia básica do escritor da carta aos Hebreus.

A idéia que ele defende neste capítulo estende-se por toda carta, o que torna possível precisar qual o tema central que ele procurou destacar.

Através do capítulo dois é possível determinarmos qual o tema, o enfoque e o contexto da carta aos Hebreus.

  

1 Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 3 Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; 4 Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?

               

O versículo 1 do capítulo 2 é conclusivo “Portanto...”, e decorre do do argumento apresentado anteriormente.

O escritor demonstrou que antigamente Deus falou várias vezes e de muitas maneiras, mas, que nos últimos dias, Deus falou através do seu próprio Filho! Conclui-se que Deus falou e depois enviou o seu Filho para falar aos homens, o que demonstra o compromisso e o amor de Deus para com os homens através do ministério do Filho.

Os cristãos não podiam seguir o exemplo negativo dos judeus, que foram relapsos quanto ao que Deus falou por intermédio dos seus servos e profetas. Agora, após ouvir a mensagem do Filho de Deus, os cristãos deveriam atentar diligentemente para ‘as coisas que já ouviram’.

A conclusão do escritor tem por base uma exortação: “...convém-nos atentar com mais diligência...”. É conveniente aos cristãos atentar diligentemente para as coisas que já ouviram, para que em tempo algum desviem-se do evangelho.

Ora, se Deus falou várias vezes e de muitas maneiras ao povo do Antigo Testamento, e muitos pereceram por não atentarem para a mensagem de Deus, o cristão, por sua vez, deve utilizar o passado do povo de Israel como exemplo e ser diligente, atentando para o que já ouviu.

O adendo explicativo acerca da pessoa de Jesus no capítulo I Hb 1. 3- 4, foi inserido antes da argumentação do capítulo 2 para dar peso à argumentação que o escritor da carta apresentada nos versículos 2 à 4.

O peso da argumentação decorre dos seguintes fatores: se a palavra dos anjos, que são ministros de Deus, permaneceu firme e toda transgressão e desobediência couberam justa retribuição, que se dirá da palavra do Filho, que é a expressa imagem do Deus invisível?

A exortação é clara: o cristão deve atentar para o que já foi dito, para que em tempo algum desvie-se do que foi ouvido. Observe que o risco de desviar-se é factível, uma vez que o próprio escritor da carta inclui-se entre aqueles que devem atentar diligentemente para a mensagem do evangelho.

Ao registrar: "Portanto, convém-nos...", o escritor da carta demonstra que ele também ficaria exposto ao risco de se desviar, caso não atentasse diligentemente para o que já tinha ouvido.

O escritor não descarta a fidelidade de Deus neste ponto, visto que, por mais que o homem seja infiel, Deus é fiel e poderoso em salvar.

Ou seja, o cristão deve entender que a palavra falada por Deus tem o peso da sua fidelidade e que ela não volta atrás. Da mesma forma que o homem é salvo por causa da fidelidade de Deus, é preciso compreender e não esquecer que Deus trará ira sobre todo coração impenitente.

Deus não volta atrás em sua palavra, porém, o homem pode, de moto próprio, desconsiderar o que já foi ouvido, e desviar-se do que Deus propõe através do evangelho de Cristo.

A indagação do escritor aos Hebreus é oportuna: “Como escaparemos nos se não atentarmos para uma tão grande salvação?”, ou seja, atentar para o que já temos ouvido é o mesmo que atentar para a tão grande salvação.

A ‘tão grande salvação’ começou a ser anunciada por intermédio de Jesus, o Senhor, e se os cristãos não atentarem diligentemente para o que ouviu, há a possibilidade de desviar-se das palavras de Cristo, que é salvação e vida.

Não há como o homem ser salvo se não atentar para o que foi anunciado por Cristo e seus apóstolos. O que foi anunciado por Jesus, também foi confirmado pelos que ouviram d'Ele, e Deus, por meio de sinais e milagres também deu testemunho com eles (v. 4).

O tema da carta começa a ficar perceptível, que é: a palavra de Deus anunciada aos homens. Observe como o tema tem início no capítulo 1, e percorre toda a carta:  

a)      Outrora Deus falou por intermédio dos profetas Hb 1. 1;

b)      Nestes últimos dias falou por intermédio do Filho Hb 1. 2;

c)      Devemos atentar para o que já ouvimos Hb 2. 1;

d)      Se a palavra dos anjos permaneceu firme Hb 2. 2;

e)      Como ser salvo se negligenciarmos o que foi anunciado por Jesus? Hb 2. 3;

f)        Aliado ao que Jesus anunciou Deus novamente testificou por meio de sinais e prodígios Hb 2. 4.

 

Isto posto, verifica-se que o tema da carta aos Hebreus é:

 

 A palavra de Deus anunciada através dos tempos.

           

Para não perder o foco, estaremos demonstrando capítulo após capítulo, como se desenvolve o tema no transcorrer da carta.

O tema da carta é a palavra de Deus anunciada através dos tempos, porém, o contexto é de exortação: “... convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido...Hb 2. 1.

O enfoque do escritor centra-se na atitude dos cristãos frente à palavra de Deus, que foi anunciada pelos profetas, e que, nos últimos dias, foi anunciada pelo Filho.

 

 

Claudio Crispim

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