A Regeneração Bíblica Comparada

 

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Uma visão panorâmica da História

A principal figura dos reformadores foi Martinho Lutero (1483- 1546) teólogo alemão, que se insurgiu contra o papado ao defender que a salvação em Cristo é por meio da graça. Ao comentar a carta de Paulo aos Gálatas, Lutero assim escreveu: "Mas a doutrina da justificação é esta: somos pronunciados justos e somos salvos exclusivamente pela fé em Cristo, e sem obras (...) Segue-se, imediatamente, que não somos pronunciados justos, nem pôr meio de monasticismo nem mediante votos nem mediante missas ou quaisquer outras obras".

João Calvino (1509-1564), teólogo cristão francês, continuou a reforma protestante defendendo a salvação pela graça. Calvino foi além na sua defesa da salvação pela graça. Ele passou a demonstrar que Deus escolhe (elege) alguns para a salvação através da sua soberania. Calvino no afã de defender a salvação pela graça, em oposição a salvação pelas obras, criou outro seguimento teológico, onde a salvação decorre da soberania de Deus, ante a inabilidade do homem em fazer algo para ser salvo.

Após Calvino estabelecer que a salvação decorre da eleição divina (Deus escolhe alguns dos perdidos), um dos seus seguidores, Jacobus Armínios (1560 - 1609), teólogo holandês, acabou por discordar de que a eleição decorre da soberania divina. Armínios Passou a defender que a eleição se dá através da presciência de Deus.

Desde então varias contradições persistem: se a salvação decorre da soberania divina, onde está a responsabilidade humana? Se a salvação é pela presciência, continua sendo por 'obras previstas'? Como resolver este entrave?

 

Calvinismo : Posição teologia que afirma que o Espírito Santo é o único agente na regeneração. Para estes pensadores a vontade humana não possui nenhuma inclinação à santidade até ser regenerada e não pode decidir-se pela salvação. Dizem que para o homem ser salvo é necessário Deus transmitir poder a alma caída capacitando a pessoa que será salva a receber a oferta da redenção. Ou seja, antes da Regeneração é necessário o homem ser capacitado espiritualmente a se ligar a Cristo. A capacitação para a graça transformas-se em uma fé viva, onde o pecador se arrepende dos seus pecados e passa a amar a Deus . O calvinismo fundamenta-se principalmente sobre a soberania divina reforçada com a tese da inabilidade humana. Para explicar os entraves e questionamentos acerca da justiça de Deus, surgiram as explicações da eleição incondicional ou predestinação, a redenção particular (ou expiação limitada), a graça irresistível (chamada eficaz) e a perseverança dos santos.

Arminianismo: Outro posicionamento teológico afirma que a vontade humana e o Espírito de Deus são dois agentes na Regeneração. Esta teoria sustenta que a alma não perdeu na queda o livre-arbítrio, e é responsável perante Deus em aceitar e rejeitar a oferta de salvação. Para os arminianistas Deus elege ou reprova as pessoas com base na fé ou na incredulidade prevista. Para defenderem este posicionamento alegam que Cristo morreu por todos os homens, mesmo que seja necessário crer para serem salvos. Por intermédio da graça divina o homem alcança fé, mas tal graça  é plenamente resistível.

 

Desde o século XV criou-se uma dicotomia entre os protestantes: os calvinistas e os arminianistas. As discussões sobre a salvação centram-se sobre a soberania divina e a responsabilidade humana.

Porém, sobre uma questão 'doutrinária' os calvinistas e os arminianistas concordam: Deus escolhe dentre os perdidos aqueles que haverão de ser salvos. A divergência entre estes dois posicionamentos teológicos surge quando apresentam as teorias para sustentar a argumentação de que Deus escolhe dentre a humanidade quem haverá de ser salvo.

Tanto os calvinista quanto os arminianistas defende que Deus escolhe dentre os homens aqueles que haverão de ser salvos. Estes aponta a presciência como base para a escolha e aqueles a soberania divina.

 

Um problema de linguagem

É correto dizermos que Jesus veio ao mundo salvar os pecadores? Sim! A linguagem evangelistica admite esta colocação "Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal" I Tm 1: 15. Quando Paulo prefaciou a primeira carta a Timóteo, ele se ocupou em fazer uma defesa do evangelho de Cristo I Tm 1: 3 e 11. Logo após afirmar que a palavra do evangelho é fiel e digna de toda aceitação, Paulo descreve em linhas gerais os elementos principais do evangelho: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores.

Esta é uma linguagem exclusivamente evangelistica, e está em conformidade com que Cristo proclamou aos seus ouvintes: "Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento" Mc 2: 17. A mensagem do evangelho é um convite universal: Jesus oferece a todos os pecadores os seus cuidados.

Porém, a linguagem evangelistica difere da linguagem teológica.

Ao falar da obra redentora de Cristo, que é promovida através da mensagem do evangelho Rm 1: 16, Paulo ao escrever ao Romanos registrou: "Pois sabemos isso, que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de não servirmos mais o pecado" Rm 6: 6. De acordo com a linguagem teológica utilizada por Paulo, Jesus veio ao mundo salvar o 'velho homem' ou salvar a 'nova criatura'?

Se Jesus veio ao mundo salvar o 'velho homem', por que a necessidade do novo nascimento?  Por que é necessário que a velha criatura seja crucificada com Cristo? Por que é importante ser uma nova criatura?

Linguagem evangelistica: "Jesus veio ao mundo salvar os pecadores" - Plenamente aceitável.
Linguagem teológica: "Jesus veio ao mundo salvar a velha criatura" - É inaceitável.

Aceitamos que Jesus veio salvar os pecadores, mas não é aceitável a idéia de que ele veio salvar o velho homem. É possível perceber a diferença gritante entre estas duas colocações.

Por questão que envolve a compreensão de quem não conhece a Cristo e ouve a mensagem do evangelho, é plenamente aceitável anunciarmos que Jesus veio ao mundo salvar os pecadores. Mas, se quisermos falar de temas como a Regeneração, é preciso utilizarmos uma linguagem específica.

Quando falou a Nicodemos sobre a Regeneração, Jesus utilizou uma linguagem específica. Na Regeneração ocorre o nascer da água e do Espírito, ou o novo nascimento. A vida eterna, ou a salvação só é alcançada por aqueles que de novo nascem da água e do Espírito Jo 3: 5 e 16.

Quando unimos a linguagem evangelista com a teológica temos o seguinte: A posse da vida eterna só será alcançada pelo pecador quando este crer no Filho unigênito de Deus, por meio do evangelho, que é poder de Deus Rm 1: 16. O pecador que Jesus veio ao mundo salvar, recebe poder para ser feito (criado) filho de Deus, ou seja, torna-se uma nova criatura Jo 1: 12- 13.

É certo que Jesus veio ao mundo salvar os pecadores. Porém, para que esta salvação aconteça, é necessário ao pecador (velha criatura) morrer com Cristo Rm 6: 3- 8, e só então, ressurgirá com Cristo Ef 2: 5.

Enquanto pecador, o homem é filho da ira, é filho da desobediência e esta morto em delitos e pecados. Somente após a Regeneração, onde o velho homem é substituído pela nova criatura, podemos dizer que 'o pecador' está salvo.

Como o nosso estudo depende da linguagem especifica à teologia, para prosseguirmos em nosso estudo, devemos ter em mente que Deus não salva o homem quando no pecado (na condição de pecador), antes Ele é salva a nova criatura, que deixa de ser pecador (stricto senso).

Neste sentido Paulo disse: "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" Rm 5: 8. Quando ele diz que éramos AINDA pecadores, isto demonstra a nova condição em Cristo. Podemos ser achados pecadores mesmo após sermos justificados em Cristo? Gl 2: 17. Cristo não é ministro do pecado!

Continua...

 

     Claudio Crispim

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