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O Novo Nascimento
Como
Crereis?
“Se vos falei de coisas terrestres,
e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais” (João 3: 12)
O testemunho de Jesus sempre foi acerca de
elementos presentes na lei e nos profetas (coisas terrestres), e mesmo sendo
Ele o tema central da lei os homens não haviam crido nele (João 5: 46- 47).
Dai vem a pergunta: como haveriam de crer em Jesus se Ele passasse a falar
do evangelho (coisas celestiais)?
Jesus apresenta outro aspecto importante do
novo nascimento: a fé!
O profeta Isaias há muito tempo apresentou
este tema ao povo de Israel: “Quem deu crédito à nossa pregação?” (Isaias
53: 1).
A pregação é clara: ‘falei de coisas
terrestres’! Qual seria o comportamento dos homens quando fosse anunciado
‘as coisas celestiais’?
Cristo é o pregador nato! Mas, quem haveria
de dar credito? Como crereis? Esta é a pergunta mais importante do diálogo.
Provérbios
“Ninguém subiu ao céu, senão o que
desceu do céu – o Filho do homem [que está no céu]” (João 3: 13)
Em Deuteronômio Moisés apresentou ao povo
várias promessas de redenção. Ele demonstra que a circuncisão do coração é
uma obra divina (Dt 30: 6), e que bastava o povo dar ouvido ao anunciado por
Deus.
Porém, alguns dentre o povo alegariam que tal
ordenança era difícil, e Moisés complementa: “Ora, este mandamento, que hoje
te ordeno, não é difícil de mais (...) Não está nos céus, para dizeres: Quem
subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o
cumpramos?” (Dt 30: 11).
Ao falar que “Ninguém subiu ao céu”,
Nicodemos possivelmente tenha se lembrado desta passagem!
Mas, há outra passagem com abordagem
semelhante em Provérbios: “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou
os ventos em Seus Punhos? Quem..? Qual é o Seu Nome, e qual é o
Nome de Seu Filho, se é que o sabes? Toda Palavra de Deus é perfeita;
escudo Ele é para os que nEle confiam. Há uma geração
que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração
que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia”
(Provérbios 30: 4-5 e 12).
Observe que Agur, filho de Jaqué de Massa
escreveu um provérbio onde foi feita várias perguntas. Dentre elas
destacamos: Qual é o Seu Nome, e qual é o nome de seu Filho, se é que o
sabes?
Não havia como Nicodemos negar que não
conhecia este provérbio em Israel. Qualquer referência ou citação semelhante
a um provérbio traz de imediato a memória do ouvinte àquela citação em
específico. Era de se esperar que um mestre estabelecesse esta relação.
Jesus, através da pequena afirmação “Ninguém
subiu ao céu...”, trouxe à memória de Nicodemos um provérbio corrente em
Israel e passa a demonstrar o seu significado:
1. ‘Ora ninguém subiu ao céu, senão o que
desceu do céu’ – Ninguém pode subir ao céu! Se for possível a alguém
subir ao céu, é porque de lá este alguém desceu;
2. Jesus identificou-se como o Filho do
homem ao povo de Israel por várias vezes. Muitos já tinham ouvido que
Jesus andava apregoando ser o Filho do homem, e aquele era o momento em
que Nicodemos precisava perceber que Jesus é o Filho do homem. Quem
desceu e posteriormente haveria de subir aos céus era Jesus, o Filho do
homem;
3. Todas as perguntas feitas por Agur no
livro de Provérbios apontam para Deus. O ponto de maior importância da
citação de provérbios está em que o texto demonstra que
Deus tem um Filho: “Qual é o Seu Nome, e
qual é o Nome de Seu Filho, se é que o sabes?” (Provérbios 30: 4).
Jesus, na conversa com Nicodemos, demonstrou que Ele é o Filho Unigênito
enviado ao mundo (João 3: 16-17), e caso Nicodemos questionasse a
possibilidade de Deus ter um Filho, nas escrituras estava registrado de
maneira explicita que Deus tem um Filho;
4. Nicodemos deveria crer na Palavra que
é perfeita, e que revela a vontade de Deus aos homens (Salmo19)
“Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam n’Ele”
(Provérbios 30: 5), e não somente nos sinais. Os sinais era uma
confirmação de Deus, mas o que verdadeiramente salva o homem é a
doutrina de Jesus. Nicodemos precisava aceitar o testemunho de Jesus e a
escritura (João 3: 11);
5. Nicodemos deveria se conscientizar da
sua atual condição como fariseu. A referência: “Há uma geração
que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração
que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia”
(Provérbios 30: 11-12), demonstra de maneira clara e precisa a condição
dos fariseus, religiosos da qual Nicodemos fazia parte (Mateus 15: 5) e
(Lucas 15: 7).
A mensagem apresentada a Nicodemos foi completa: Jesus demonstrou que não
era só por causa dos milagres que Nicodemos deveria afirmar que Cristo era
“Mestre vindo da parte de Deus”, antes, deveria verificar que a Palavra de
Deus é perfeita. Que nela está demonstrado que Cristo é o Filho de Deus.
Que Jesus desceu dos céus e que para lá haveria de subir. Que a geração da
qual Nicodemos fazia parte não estava executando a verdadeira vontade de
Deus (João 6: 29).