Pág. 5
O Novo Nascimento
Um dos Preceitos
em Israel
“Em verdade, em verdade te digo que
nós dizemos o que sabemos, e testificamos do que vimos; contudo, não
aceitais o nosso testemunho” (João 3: 11)
Nicodemos foi informado por Jesus da necessidade
do novo nascimento. Também sabia que o novo nascimento é o nascer da água e
do Espírito. Mas, de que maneira o homem torna-se um novo homem? O que é
exigido? Depende de alguma atitude por parte do homem? Depende da moral, do
caráter, de regras, da lei, da religião, etc? Como pode ser isso?
Segundo a lei de Moisés o testemunho de duas
pessoas era tido como verdadeiro a ponto de condenar alguém à morte
“Por boca de duas testemunhas, ou três
testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só
testemunha não morrerá” (Deuteronômio 17: 6).
A
lei estipulava que o testemunho de duas pessoas em Israel era equivalente à
verdade, e Nicodemos como membro do Sinédrio sabia muito bem disto e de como
aplicar a lei.
Da lei surgiram
inúmeros preceitos em Israel e Jesus cita um destes preceitos: “Na
verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos
o que vimos...” (João 3: 11). Ou seja, dizer
somente o que se sabe e testificar somente o que se viu deveria ser uma
característica própria aos judeus. Ou seja, da lei decorre o preceito de
testemunhar somente o que é verdadeiro.
Outro preceito foi citado à mulher samaritana: “... nós adoramos o que
conhecemos, pois a salvação vem dos judeus” (João 4: 22), ou seja, os
judeus consideravam que somente eles conheciam o Deus que adoravam, uma vez
que a salvação viria dos judeus.
Alguns estudiosos entendem que João 3: 11 diz das três pessoas na divindade,
e que Jesus estava falando do Pai e do Espírito Santo. Porém, este não era o
tema da conversa. Jesus não estava apresentando as pessoas da divindade a
Nicodemos, e sim, estava abordando a necessidade do novo nascimento.
No
versículo 8 o novo nascimento e apresentado como sendo uma obra de Deus, e
no versículo 11, Jesus passa a demonstra como o novo nascimento ocorre: é
preciso aceitar o testemunho de Cristo e o testemunho da Escritura (Pai).
Os judeus
enfatizavam os seus preceitos e se gabavam de suas leis, porém, diante do
testemunho de Cristo e da Escritura que era verdadeiro, contudo, não
aceitavam o testemunho de Cristo.
۩
“Contudo, não aceitais o nosso testemunho” (João 3: 11)
“Contudo...”, ou seja, apesar de haverem criado um preceito a partir da lei,
as pessoas não aceitavam o testemunho de Jesus e o testemunho da Escritura
(Pai).
Os
ouvintes de Jesus tinham dois motivos bem fortes para aceitarem o testemunho
de Jesus: primeiro, ele dizia e testificava o que tinha visto junto ao Pai,
e a Escritura confirmava o testemunho de Jesus.
Com a relação
estabelecida através do preceito existente em Israel, Jesus protesta a
Nicodemos o fato de não aceitarem a sua palavra e o testemunho da Escritura
“E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós
nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer.
E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não
credes vós” (João 5: 36- 38).
Era dever de um Judeu dizer somente o que sabia
e testificar somente o que viu, e Jesus como filho de Davi e Filho de Deus
somente estava dizendo do que viu (nem vistes o seu parecer) e ouviu (nunca
ouvistes a sua vos) do Pai.
Uma vez que a
Escritura é o testemunho do Pai a respeito do Filho “São estas mesmas
Escrituras que testificam de mim” (João 5: 39). Os milagres era uma das
confirmações de Deus acerca da obra realizada pelo Filho. O que Jesus estava
anunciando, Ele havia ouvido e visto junto ao Pai. 'Contudo...', ou seja,
apesar de falarem conforme a lei, rejeitaram o testemunho do Filho.
Eles estavam rejeitando a Escritura que tanto cultuavam, e que até
transformaram em preceitos! Eles estavam rejeitando o Messias esperado. Eles
estavam rejeitando o pão vivo enviado por Deus que concede vida aos homens.